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Jeanne Paquin

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A primeira mulher a ter sucesso com uma casa de alta costura, Jeanne Paquin era uma grande personalidade, porém avessa às entrevistas.
Muitos a consideravam “a mais elegante” da Belle Époque e se destacava por nunca ter feito dois vestidos iguais. Hoje esquecida ou conhecida apenas pelo sobrenome (há até quem ache que Paquin era um homem), no seu tempo foi à maior autoridade feminina em moda, e reino ao lado de Doucet, “o grande senhor da moda”, no período entre Worth e Poiret.
Nascida Jeanne Marie Charlotte Beckers, em Saint-Dennis, França, em 1869, foi a sucessora natural de Worth. Filha de um médico, quando moça atuou como aprendiz de uma costureira em Paris e mais tarde ingressou na conceituada Maison Rouff, onde alcançou a posição de premiere. Em 1981, casou-se com Isadore René Jacob, conhecido como Paquin, um bem sucedido banqueiro, o que permitiu que a jovem abrisse no mesmo ano sua casa de costura na rua da La Paix. Seu marido se ocupava dos assuntos administrativos e Jeanne comandava a criação. Com a apresentação dos primeiros modelos, surgiram detalhes que chamavam a atenção, como os tailleurs com peles arrematando golas, punhos as vezes a barra; outros em sarja azul, enfeitados dos agaloes e botões dourados; peles; lingerie, vestidos para noite em branco, verde, pastel ou lamé dourado. Mereceram destaque o uso de um peculiar tom de vermelho, que se tornaria um clássico da casa e as aplicações em renda em tecidos contrastantes, além da habilidade de combinar cores. Esses detalhes, somados ao acabamento intocável e certa modernidade, anunciavam o que mais tarde seria conhecido como “grande estilo de Paquin”.
A palavra-chave para tanto sucesso era “elegância”. A filosofia de moda de Paquin era bem de próximo da de Lanvin e Vionnet, e com praticidade e pragmatismo a criadora mantinha-se a par do que as mulheres queriam e introduzia as novidades aos poucos, sem mudanças radicais. Como seu marido era banqueiro, o casal desfrutava de boa aceitação, freqüentava a sociedade e difundia um esplendoroso estilo de vida, mas sem deixar o trabalho de lado.

A clientela da Maison Paquin era formada principalmente de damas, atrizes e cortesãs. Na tentativa de ampliar seu publico, em 1895 Jeanne investiu em publicidade, uma atividade até então incomum, espalhando nos teatros cartazes com desenhos de suas criações. Foi a primeira a levar à Opera ou as corridas manequim vestidas com os últimos modelos de sua casa, uma estratégia seguida mais tarde por Paul Poiret e Patou.
A virada do século trouxe muitas mudanças na sociedade, como a substituição do alto estrato, até então um modelo de elegância, pela emergente classe artística. Segundo Barbara Worsley-Gough em Modas em Londres, “no início de 1900, o palco atingiu a apoteose. Tornou-se o foco dos interesses sociais, e seus expoentes roubaram a liderança das chamadas grandes damas”. A moda em vestuário, acessórios, penteados e até o modo de se comportar eram ditados pelas atrizes. Graças a Charles Frederick Worth e ás novas casas de alta-costura que continuavam a surgir, Paris representava o centro do mundo da moda e inaugurava uma supremacia que duraria anos. Sempre tomada por acontecimentos sociais, a capital francesa era chamada “a Cidade-Luz” e “Gay Paree” (alegre Paris). Em 1900, realizou-se ali a Exposição Universal (Evento onde se inaugurou a Torre Eiffel), muito festejada para comemorava a virada do século. Paquin foi escolhida pelos colegas para presidir o setor de alta-costura do evento e na entrada da feira uma estátua enorme chamada a Parisiense, exibia um modelo da estilista. A proposta era que cada casa vestisse uma manequim de cera, mas Maison Worth, por exemplo, achou a idéia muito avançada e preferiu apresentar suas criações em quadros pintados especialmente para a ocasião. Uma das manequins era nada menos do que uma reprodução da própria Paquin, com um vestido marchetado de prata. Participaram da exposição as Maison Worth, Collot Soeurs, Chéruit, Doeuillet, Doucet e Redfern.
Como a sua concorrente direta, a Maison Worth, ainda estava no auge da fama (embora já sob a direção de Jean e Gaston, filhos do fundador), Paquin chegou a reunir mais de dois mil funcionários, enquanto os demais tinham em média de 50 a 400 empregados. A extensão de seus negócios e as somas envolvidas eram que, em 1896, Paquin, Worth movimentaram em torno de cinco milhões de francos, o mesmo valor que Dior atingiu nas suas coleções mais aplaudidas, cinqüenta anos depois. Muito desse sucesso coube a personalidade cativante da madame Paquin, dona de um temperamento afável e apreciada por todos, além de bonita e muito chique.
Em 1902, Paquin abriu uma filial em Londres, na rua Dover, nº 36. “Cada criação é original e produzida simultaneamente em Paris e Londres”, diziam os anúncios. Membros da realeza, como as rainhas da Espanha, Bélgica e Portugal, tornaram-se clientes da casa, além de representantes da classe das “estrelas de teatro”, como Liane de Pougy e La Belle Otéro, as divas da Belle Époque. Em 1905, Jeanne relançou o estilo império (vestido com corte logo abaixo do busto), e em 1906 foi pintado o histórico quadro Cinco horas da na Maison Paquin, de N. Gerais. A obra retratava o elegante salão no qual as parisienses gostavam de se encontrar para tomar chá e vera s novidades em tecidos e modelos.

Em 1907, o marido de Paquin morreu e seu meio-irmão Henri Joire passou a auxiliá-la na parte administrativa. Nesse ano, o trabalho de Jeanne teve grande influência oriental, com lindíssimos casacos tipo quimono. Em 1909, o vanguardista Paul Poiret abriu sua casa de costura na avenida d´Antin, e sua chegada causou tanta sensação que ofuscou os demais costureiros. Embora não tenha sido o único a apresentar inovações nos anos que precederam a Primeira Guerra Mundial, Pouret tinha criações tão originais que nada mais parecia acontecer.
Nesta época se apresentava em Paris a Companhia de Ballet Russo, trazida pelo aristocrata de avant-garde Diaghilev. Os figurinos, criados por Léon Bakst, foram confeccionados na Maison Paquin. Entre 1908 e 1914, porém outros costureiros também inovaram no estilo, pois era um tempo de mudanças. Enquanto Poiret lançava sua saia-funil, que apesar de moderna dificultava o andar, Paquin, com todo seu domínio da costura, criou uma sai estreita, mas com uma prega embutida, que também era moda, porém bem mais funcional. Nesse período Paquin apresentou um tailleur feito sob medida para os novos tempos, com barra de um cm do chão. Anos depois Maggy Rouff escreveu “Eu ainda posso ouvir a voz de cristal da madame Paquin dizendo que é preciso renovar sempre, sem fraqueza ou medo, e com audácia”. Paquin contratou os mesmos ilustradores que Poiret, Iribe e Barbier, para fazer gravuras que, alhadas com atenção, revelam um trabalho bem diferente daquele mostrado em fotos de época.

Em 1910, a moda vanguardista não era bem aceita e muitos consideravam feia e deselegante. Paquin declarou: “O primeiro mandamento da alta-costura é que a moda deve ser a nova e corresponder ao padrão de beleza e ao estilo de vida atuais”. E insistia: “Os costureiros não ditam mudanças, mas de preferência seguem as súbitas viradas de estilo iniciadas pelas mulheres nas ruas”. Tratava-se de pensamentos muito avançados e proféticos para a primeira década do século XX, ainda mais quando exteriorizados por uma voz feminina.
Em 1912, foi inaugura em Nova York uma elegante casa que oferecia exclusivamente peles denominadas Pauin-Joire. No ano de 1913, Jeanne Paquin tornou-se a primeira representante da alta-costura a ser condecorada com a Legião da Honra, prestigiado título conferido pelo governo francês. Em 1914, abriu uma filial de loja em Madri, e uma em Buenos Aires logo no ano seguinte. Foram tempos de intensa diversificação, com a incorporação da novas linhas como a lingeries e de trajes infantis.
Em uma tentativa de divulgar sua moda e ainda diminuir pirataria delas, Paquin visitou nos estados Unidos com suas modelos. No período de 1917 a 1919, presidiu a Chambre syndicale de La Couture e aposentou-se em 19220, aos 51 anos. Na famosa obra Em busca do tempo perdido, o escritor francês Marcel Proust citou casas de alta-costura, entre elas a Maison Paquin, a Callot Soeurs, Chéruit e Doucet. Curiosamente, três destes estabelecimentos funcionavam sob a direção de mulheres.
Talvez a principal razão pela qual Paquin não recebeu o reconhecimento que merece na história da alta-costura decorre com sua grande preocupação em manter a elegância, e não necessariamente inovar, como Worth, ou revolucionar como Poiret. Porém em toda a sua existência a Maison Paquin sempre pertenceu ao primeiro escalão da alta-costura, igualando-se, se não superando, seus contemporâneos.

Paquin deixou em seu lugar uma antiga funcionária, Madeleine Wallis. Em sua primeira coleção, a sucessora fez uma releitura das golas boule (golas em forma de anel que circunda o pescoço), uma tradição da casa. Em 1936, Ana de pombo assumiu o cargo de estilista e agradou a clientela com uma coleção de influência espanhola. Em 1942, Antonio Del Castillo a substituiu e criou uma coleção cujos vestidos para noite buscavam inspiração em Goya. Em 1945, a Maison Paquin, então sob o comando de Castillo e o assistente Pierre Cardin, foi contratada por Marcel Escofier e Chirtian Bérard para criar o guarda roupa de A bela e a fera. Em 1946, Colete Massignac substituiu Castillo, e em 1949 Lou Claviere reavivou uma imagem da casa com a coleção Torpedo. Em 1956, com 65 anos de existência, fechou a Paquin-Worth.

 Fotos Reprodução Internet/Google

Pequisa Senac e Internet

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